Local pra desfilar alguns contos de experiências, vividas ou não, por mim. Além de coisinhas confidenciadas por amigos e que só podem ser contadas aqui no blog. Afinal, segredos da vida secreta de amigos vão pro túmulo, mas nada impede que sejam contados a desconhecidos.
O Homem Tântrico
Ao som de Violently Happy (Björk), com um copo de bebida ao meu lado e a imaginação fervilhando, não consigo dormir. Tudo o que me passa na cabeça me remete ao tantra, o sensorial, ao homem tântrico e a historia que ouvi. Estava estudando química antes de escutá-la, mas a química que me salta agora a mente e o corpo não tem nada haver com livros e escola. Me sinto voyeur, apesar de estar apenas imaginando uma experiência que não assisti. É que o momento me foi contado com tanta riqueza de detalhes, por uma mulher em estado de êxtase e violentamente feliz, que posso construir cada cena, sentir parte do que sentiam, alimentar-me de certa forma de seus prazeres.
Já é quase meia noite e estou ansiosa esperando a chegada dele. Por conta dos nossos horários complicados marcamos a aula pra madrugada e ele combinou de vir me buscar em casa e me levar até a unidade de Yôga. Sempre tive um desejo ardente por ele, parece que todo mundo já teve uma paixonite por um professor. No caso, meu instrutor de Yôga.
Lindo, moreno, corpo escultural e um olhar arrebatador, dono de uma cara de anjo num corpo e mente de homem. Enquanto pratico Yôga, mesmo com toda a minha concentração, não posso deixar de observá-lo, de acompanhar os movimentos do seu corpo enquanto assimilo tudo o que faz e diz.
Entrei no carro e seguimos pra unidade, logo que chegamos lá reparei no cuidado dele em colocar o carro onde não pudesse ser visto facilmente. Adentramos no local e ele deixou todas as luzes apagadas, nos dirigimos ao segundo andar. Na minha cabeça os pensamentos se multiplicavam e o que eu já vinha idealizando há meses parecia que finalmente ia se concretizar.
Ele deu inicio a aula normalmente e meu sonho foi se diluindo… Não seria dessa vez! Chegava a hora de mostrar minha coreografia (uma seqüência de movimentos, os ásanas) completa e, enquanto eu me desdobrava, as feições dele iam mudando. Olhava-me de um jeito diferente que intimidava ao mesmo tempo em que me envolvia, me deixava completamente sem graça e aquilo excitava muito. Era um sorrisinho estonteante e desnorteador.
Quando terminei, ele desligou a luz, deixando apenas uma luzinha azul clara acesa. Me fez um convite irrecusável:
- Deita aqui comigo, vamos ficar ouvindo o barulhinho da chuva.
Minhas fantasias, que já haviam sumido, voltaram à tona, mas não queria dar bandeira e deitei a dois palmos dele. Depois de repetir o sorriso, um beijo no ombro e uma olhada com a carinha mais inocente do mundo. Lá se foi o que eu esperava. Pensei comigo: “é tudo mera criação do meu desejo agudo por esse corpaço, ele não quer nada com você K.“.
Outro beijo, dessa vez mais perto do pescoço e outra proposta:
- Que tal finalizar a noite com uma massagem?
- Massagem? Sou péssima nisso!
- Mas você só vai relaxar e sentir a massagem…
Palpitei inteira! Ele se levanta, abre a mochila e tira de lá um óleo de acerola. Tudo planejado, eu tinha comentado dias antes que adorava a fruta. Delirei! Delicadamente me faz um pedido:
- Pode tirar sua blusa? Não precisa se preocupar. É só pra fazer melhor a massagem. Fique de bruços, deitada, prometo não olhar.
Deitei, tirei a blusa e ele realmente não me olhou. Comecei a sentir o óleo quente escorrendo bem no meio das minhas costas. Só aquela sensação já me fazia ter orgasmos múltiplos. Toda a atmosfera criada, o incenso aceso, a chuva caindo, a meia luz, iam me envolvendo num momento mágico.
Gentilmente ia me massageando as costas, as pernas, os braços, os pés e as mãos. Em nenhum momento deu a entender que iria avançar o sinal, não abusou nem um pouco de mim. Que mãos eram aquelas!? Eu que já freqüentara tantos massoterapeutas estava completamente fascinada com aqueles movimentos. Provocava, mas não dava traços de que algo aconteceria e eu ia me deixando levar pela situação.
De repente, minha sorte começava a mudar. Senti as mãos subindo deliciosamente pelas minhas costas, percebo a mudança na respiração dele. Me tentou, provocou, mas agora também estava envolvido. Ofegante, vai dando leves beijos enquanto me massageia. Sua respiração era quase um pedido:
- Te desejo agora!
Eu apreciava o momento sentindo da maneira mais intensa, aproveitando cada toque, o ruído da chuva, as mãos pelo meu corpo, o calor do óleo, aquela respiração ofegante se aproximando… Os beijos começaram a subir pela nuca, pescoço e já não agüentava o meu estado de contemplação. Estava parada, entorpecida, tendo uma serie de arrepios. Tocava meu corpo e minha alma, o coração estava quase saindo pela boca e ele acariciava meus cabelos, me fazia delirar. A minha excitação se tornava maior por perceber que ele também estava em êxtase.
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Não pude mais evitar, ele me provocou e agora esperava que eu tomasse uma decisão. Sai da minha posição imóvel, da paralisia provocada pelo encantamento. Virei, passei a mão por traz da nuca dele e o olhei por um momento. O puxei até mim e o beijei. A boca dele desfilava entre o pescoço, minha nuca e minha boca. As mãos passeavam em meu corpo aquecidas gostosamente de óleo.
Fazia tudo de maneira inacreditável, sou capaz de lembrar cada suspiro e enlouqueço só com a lembrança. O calor do corpo dele junto ao meu, nossas línguas se entrelaçando, o cheiro, o gosto. Mordia seus lábios macios, mordia seu corpo maravilhoso. Deslizava por aquele homem e abusava dele, beijando, apertando, o provocando. Experimentei parte do que já havia fantasiado, vivenciei o que nem poderia imaginar.
Fui deixada em casa às quatro da manhã, completamente maravilhada e feliz. Senti da maneira mais saborosa o que prega a linhagem do Yôga que pratico. O Tantra, desrepressor e sensorial. Ele me tratou como uma deusa, conduziu-me magnificamente sempre esperando que eu tomasse a decisão. Colocou-me em primeiro plano, muito diferente dos homens que estamos acostumados a ver nas sociedades patriarcais.
Sei que quero mais. Hoje, na aula, não conseguia desviar a visão. Aquele corpo musculoso ateia fogo em mim, o homem dono daquele corpo provoca sensações extraordinárias. Hoje não consegui me controlar. A respiração, o ritmo cardíaco, as idéias, tudo estava descompassado, acelerado. Contudo, ante minha exaltação ele apenas me olha, soltando depois aquele sorrisinho que agora já sei bem o que quer dizer.
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adorei cada detalhe ..muito bem contado..ate pude sentir toda a exitação dela…lindo