Coisas de Pele

 

Na pele
o frio é cortante,
Me faz querer um outro corpo…
Pra aquecer.
Na pele
o fogo é alucinante,
Desejo uma outra pele…
Pra congelar.
Arrepio frio que incendeia,
Fogo que petrifica.
Na superfície fina e macia
da pele
o quente faz molhar,
umedecer.
O branco fica mais claro,
O que for escuro transparece.
Tato, cheiro e cor:
Sentidos!
Exalados!
Vistos!
Na pele

Sucos

Desejos contidos
Que emanam com a presença
E toque do oposto
Com seu gosto
Solto o meu gosto
E gosto
Do gosto que isso tem.
 
Eu gosto dos opostos
E do calor que eles tem
Da maneira como
Eles não me entendem
E tentam decifrar-me
Cegamente
Desvendado
Descobrindo
Penetrando
 
Transitando pelo meu mundo
Sem nem sempre alcançá-lo
E os abraço com carinho
Os enlaço
Mesmo com meu embaraço
Não me contenho
Relaxo
 
Me solto
E deixo me
Ser bebida
Liquefeita
Enlouquecida
 

Natural

 
Se me vejo perturbada
É porque não me acho
Não caibo em mim
Inconstante consciente
Ciente da carência
Sentimental
Da confusão sexual
Que atravessa
Meu eu
 
É que me sinto estranha
Dentro de mim
Tantos desejos
Contidos
Mantidos constrangidos
Como se o sentir
Não fosse característica humana
Tão natural
 

O Gosto

 
 
Eu gosto do gosto,
Do gosto das bocas,
Das línguas soltas.
Eu gosto de deixar
O melhor pra depois,
De ser mais
Intensa no final,
De segurar o gozo
E senti-lo infernal.
 
 

Sensibilidade

 
 
Arrepios!
(E não é de frio…)
Um monte deles.
Tremores.
Sinto passar pela medula,
Visceral…
Friozinho quente
Brotando das entranhas.
Sucessão maravilhosa
De calafrios arrebatadores.
 
 

Nego

Adoro essa tua cor
Arrastando meus olhos,
Desalinhando pensamentos,
Instigando desejos.
 
E esse teu sabor,
Lábios salivam.
Saborosa lascívia
Brotando do ser
 
Me deixa louca
Esse teu tempero
Que me agrada o corpo
Coração palpita
Entregue estou
 
Ah, e o teu gingado
Seduzindo minha alma
Entorpece a visão
Doce pecado.