Sucos

Desejos contidos
Que emanam com a presença
E toque do oposto
Com seu gosto
Solto o meu gosto
E gosto
Do gosto que isso tem.
 
Eu gosto dos opostos
E do calor que eles tem
Da maneira como
Eles não me entendem
E tentam decifrar-me
Cegamente
Desvendado
Descobrindo
Penetrando
 
Transitando pelo meu mundo
Sem nem sempre alcançá-lo
E os abraço com carinho
Os enlaço
Mesmo com meu embaraço
Não me contenho
Relaxo
 
Me solto
E deixo me
Ser bebida
Liquefeita
Enlouquecida
 

Caleidoscópio

Tudo o que vejo
São horizontes mil,
Como um caleidoscópio
De infinitas cores,
Com sua magníficas formas.
Um mundo novo
Se mostrando diferente
A cada espiada curiosa
Do meu olhar.
 

Sem Cabimento

 
O átomo na célula,
O preso na cela,
A mão na luva,
Todas as coisas cabem
No seu devido lugar,
Só eu que já não
Caibo em min.
 
Sem cabimento
Pairando no ar
Sonhando em encontrar
Alguém pra aterrissar.
Pessoa que possa me conter,
Absorver todo o tamanho
Que devo ter.
Sujeito a sugar
Todas as coisas que
Já não cabem
Nesse corpo meu.

Nego

Adoro essa tua cor
Arrastando meus olhos,
Desalinhando pensamentos,
Instigando desejos.
 
E esse teu sabor,
Lábios salivam.
Saborosa lascívia
Brotando do ser
 
Me deixa louca
Esse teu tempero
Que me agrada o corpo
Coração palpita
Entregue estou
 
Ah, e o teu gingado
Seduzindo minha alma
Entorpece a visão
Doce pecado.
 

Nóia

Realidade furto de idéias mirabolantes
De paranóias delirantes
(Pra tornar tudo mais doce)
Doçura forjo de sonhos q alimento
Fantasias do contentamento
(Pra me tornar viva)
A vida teço no imaginário
Mundo paralelo
(Pra ter um sentido de existir)
Sentido tive por um instante
Alegoria errante
(Pra voltar a realidade)
E viver de sonho e poesia é mais doce, a realidade nos sufoca, é amarga [...]